Quase quatro meses após a rebelião que deixou pelo menos 26
detentos mortos na Penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, ainda há
restos mortais a serem identificados no Instituto Técnico-Científico de Perícia
(Itep) em Natal. Ao todo, 12 cabeças decapitadas, outros membros e três corpos
carbonizados aguardam, no instituto, o exame de DNA que pode identificá-los.
Segundo o diretor do Itep, Marcos Brandão, a demora se deve
à falta de um laboratório equipado para esse tipo de exame no estado. “A gente
utiliza o laboratório da Bahia pra gente realizar o exame de DNA, porque a
Bahia tem a maior estrutura laboratorial do Nordeste”, disse.
O diretor do Itep explica que o envio das amostras de DNA
para análise estava programado para o início deste mês, mas será adiado por
causa de dificuldades de encaixe na agenda do Itep da Bahia. “Houve algumas
demandas administrativas deles, então não pudemos ir pra lá esse mês.
Provavelmente as equipes vão em junho”, ressaltou.
De acordo com Marcos Brandão, as amostras devem levar cerca
de 20 dias para ser analisadas.
Um laboratório que faça exames de DNA deve ser construído em
breve no Rio Grande do Norte. Segundo o diretor do Itep, já há um projeto para
a construção da estrutura, e o edital de licitação será publicado no dia 15.
“Os recursos estão totalmente assegurados, vão ser recursos próprios do Itep,
que a gente já empenhou, ou seja, não vai haver problema de pagamento”,
afirmou.
Dos 26 mortos em Alcaçuz, 22 foram identificados através de
exames de papiloscopia, que é comparação das impressões digitais. As tatuagens
das vítimas também ajudaram em algumas identificações. Um quarto corpo não
identificado, além dos três carbonizados, foi enterrado como indigente após ter
o material genético recolhido
Nova rotina em Alcaçuz
Passado o período de rebeliões em Alcaçuz e após a
intervenção de uma força tarefa do Departamento Penitenciário Nacional (Depen),
uma nova rotina foi estabelecida em Alcaçuz e novos procedimentos de segurança
adotados.
Além de reparos na estrutura física dos pavilhões, como
reforma completa no Pavilhão 5, o governo finalizou a construção de um muro de
concreto para separar facções criminosas, bem como a colocação de uma cerca de
proteção em volta de toda a área externa do presídio.
Fonte: G1.